sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Você dorme ou realmente descansa

 



Muitas vezes pensamos que dormir bem significa apenas passar algumas horas na cama. Mas a ciência vem mostrando que o sono é muito mais complexo.

Um estudo publicado na PLOS Medicine, com mais de 95 mil participantes do UK Biobank, acompanhados por quase nove anos, encontrou associações importantes entre diferentes características do sono e a saúde.

Maior quantidade de sono REM esteve associada a menor risco de 83 condições, entre elas insuficiência cardíaca, demências e parkinsonismo. Já maior quantidade de sono profundo apresentou associação com menor risco de sete condições, incluindo diabetes tipo 2 e depressão maior.

Outro dado chama atenção: irregularidade no sono e permanecer acordado por mais tempo depois de adormecer também apareceram associados a problemas de saúde. O estudo ainda observou que, para muitas das condições analisadas, a faixa de menor risco ficou concentrada entre seis e oito horas de sono.

Isso não significa que exista uma fórmula igual para todo mundo. Significa que qualidade, regularidade e duração do sono merecem atenção.

Quando o sono muda por muito tempo, o corpo e a mente podem estar comunicando alguma coisa.

Se você não consegue dormir bem, acorda constantemente ou percebe prejuízos durante o dia, procure avaliação profissional.

Dormir não é simplesmente desligar. É uma parte importante do cuidado com a saúde.

Fonte científica: Luo J. et al. Accelerometer-derived real-world sleep stages and risk of incident diseases: A UK Biobank cohort study and phenome-wide association analysis. PLOS Medicine, 17 set. 2026.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

“Quem está mais tempo na tela: os filhos ou os pais?” (baseado na pesquisa da revista JAMA Pediatrics)



Uma pesquisa recente realizada na Noruega e publicada na JAMA Pediatrics chama a atenção para um ponto que muitas vezes passa despercebido: não é somente o tempo que os filhos passam diante das telas que merece preocupação. O tempo que os próprios pais passam no celular também está relacionado ao desenvolvimento da linguagem das crianças.

O estudo acompanhou crianças entre 5 e 7 anos e encontrou associação entre maior uso de smartphone pelos cuidadores e menor crescimento do vocabulário infantil.

Isso nos convida a pensar sobre algo muito simples: para aprender a falar, a criança precisa encontrar alguém disposto a conversar. Precisa perguntar, contar uma história, mostrar alguma coisa e perceber que existe um adulto olhando, escutando e respondendo.

Quando o celular ocupa constantemente esse espaço, podem existir menos oportunidades de diálogo, brincadeira e troca afetiva.

A pesquisa não afirma que o celular, sozinho, causa dificuldades de linguagem. Mas apresenta um alerta importante: talvez seja necessário perguntar não apenas quanto tempo nossos filhos permanecem nas telas, mas quanto tempo nós permanecemos nelas quando estamos com nossos filhos.

Presença também é olhar, escutar e conversar.


Referência: Yang J, Furnes B, Morken F, et al. Screen Use and Children’s Language Development From Ages 5 to 7 Years. JAMA Pediatrics. Publicado online em 17 de agosto de 2026. DOI: 10.1001/jamapediatrics.2026.3490


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quarta-feira, 10 de junho de 2026

"Não somos um algorítimo, mas fomos criados e somos amados pelo Criador"




Encíclica Magnifica Humanitas (Resumo Pessoal)


A encíclica do Papa Leão XIV, nos convida a olhar para a inteligência artificial com esperança, mas também com muita responsabilidade. O Papa não rejeita a tecnologia. Pelo contrário, reconhece que ela pode ajudar a humanidade em muitas áreas. No entanto, ele deixa claro que nenhum avanço tecnológico pode estar acima da dignidade da pessoa humana.

A grande preocupação do documento é mostrar que o ser humano não pode ser reduzido a dados, números, resultados ou produtividade. Cada pessoa tem uma história, uma vida interior, uma consciência, uma liberdade e uma dignidade que nenhuma máquina pode substituir. A inteligência artificial pode até ajudar em muitas tarefas, mas ela não tem coração, não tem compaixão e não pode assumir o lugar da responsabilidade humana.

O Papa também chama atenção para o mundo do trabalho. A tecnologia não pode ser usada para descartar pessoas, aumentar desigualdades ou transformar o trabalhador em algo sem valor. O trabalho faz parte da dignidade humana, porque permite que a pessoa participe da sociedade.

Outro ponto importante é o cuidado com o uso da inteligência artificial em situações de guerra, vigilância e manipulação. Quando a tecnologia passa a ser usada para controlar, enganar ou destruir, ela deixa de servir à humanidade e se torna uma ameaça. Por isso, o Papa pede uma inteligência artificial orientada pela paz, pela justiça e pelo bem comum.

No fundo, a encíclica é um chamado para que a humanidade não perca sua alma.
Em um tempo em que as máquinas parecem cada vez mais inteligentes, o Papa nos lembra que o mais importante é continuarmos humanos. A inteligência artificial pode ser uma grande ferramenta, mas precisa estar sempre a serviço da vida, da verdade, da liberdade e do cuidado com os mais vulneráveis.

A principal mensagem que fica é esta: o futuro não pode ser construído apenas com tecnologia, mas ser construído com ética, responsabilidade, sensibilidade e respeito profundo pela dignidade de cada pessoa.

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** Texto baseado no documento em italiano


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Entrevista da Rede Tv Pai Eterno sobre o livro: Chamados Por Cristo, Feridos no Caminho

 Convido você a acessar o link e assistir à entrevista que concedi à Rede TV Pai Eterno sobre o livro “Chamados por Cristo, Feridos no Caminho”.

Foi uma oportunidade muito especial para falar sobre saúde mental na vida religiosa, consagrada e sacerdotal, e sobre a importância de cuidar de quem também dedica a vida ao cuidado, à missão e à fé.

Assista e compartilhe essa reflexão.


Assista: 


domingo, 24 de maio de 2026

Quando descansar também é cuidar da vocação




Você já percebeu como muitos religiosos, religiosas e sacerdotes sentem culpa quando precisam parar?

Em muitos casos, o descanso é visto como fraqueza, falta de entrega ou perda de tempo. Mas ninguém consegue cuidar bem dos outros quando está por dentro cansado, vazio e sobrecarregado.

A vida religiosa e sacerdotal exige muito: escutar dores, orientar pessoas, acolher sofrimentos, cumprir responsabilidades, responder às demandas da comunidade e, muitas vezes, silenciar as próprias necessidades. Com o tempo, essa entrega sem pausa pode gerar esgotamento emocional, irritação, tristeza, ansiedade, perda de sentido e até adoecimento psíquico.

Descansar não é fugir da missão. É reconhecer que todo ser humano tem limites. Até Jesus se retirava para rezar, silenciar e recuperar as forças.

Cuidar da saúde mental também é um gesto de responsabilidade espiritual. Uma vocação saudável não nasce do excesso, mas do equilíbrio entre servir, rezar, descansar e cuidar de si.

Quando o cansaço já não passa, quando a tristeza pesa ou quando a missão começa a perder o sentido, procurar ajuda profissional pode ser um passo necessário.

Quem cuida também precisa ser cuidado.

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Dr. Alessander Carregari Capalbo
Psicólogo | Doutor em Psicologia Psicanalítica


sábado, 23 de maio de 2026

Chamados por Cristo, Feridos no Caminho: quando a vocação também pede cuidado



A obra “Chamados por Cristo, Feridos no Caminho: Saúde Mental e Vida Religiosa, Consagrada e Sacerdotal”, de Alessander Carregari Capalbo, publicada pela Editora Redentorista, nasce de uma escuta sensível e necessária sobre as dores emocionais vividas no interior da vida religiosa, consagrada e sacerdotal.

O livro apresenta um diferencial importante: ele não parte apenas de estudos teóricos ou da experiência clínica do autor. O fato de Alessander atuar na Subsecretaria de Saúde Mental ampliou ainda mais seu olhar sobre o sofrimento psíquico e o cuidado humano. Essa vivência profissional o levou a realizar uma pesquisa de campo com mais de 400 religiosos, religiosas e sacerdotes diocesanos de todo o Brasil, trazendo à luz uma realidade que muitas vezes permanece silenciada dentro das instituições religiosas.



A obra revela, com profundidade e responsabilidade, como está hoje a saúde mental entre religiosos e sacerdotes. Temas como depressão, ansiedade, solidão institucional, burnout pastoral, crises vocacionais, esgotamento emocional e sofrimento silencioso aparecem não como julgamentos, mas como sinais de que é urgente falar sobre cuidado, prevenção e acompanhamento.

Outro aspecto marcante é que o autor também escreve a partir de sua própria história. Ele viveu uma experiência de depressão em sua caminhada ministerial, e essa travessia marcou profundamente sua forma de compreender, escutar e acolher as dores de quem consagra a vida a Deus, mas continua sendo plenamente humano.

O livro mostra que a fé, os votos religiosos ou o sacramento da ordem não tornam ninguém imune ao sofrimento. Padres, freis, religiosas, irmãos, consagrados e consagradas também se cansam, sentem medo, enfrentam angústias e precisam de espaços seguros de escuta e cuidado.



Mais do que expor feridas, a obra aponta caminhos possíveis: formação humana mais profunda, acompanhamento psicológico, direção espiritual, redes de apoio, descanso, prevenção do adoecimento emocional e liberdade para que cada pessoa possa buscar ajuda profissional quando precisar.

Reconhecer a vulnerabilidade não enfraquece a vocação. Pelo contrário, pode ser o primeiro passo para viver a missão com mais verdade, maturidade e saúde emocional.


Psi.Alessander Carregari Capalbo

Dr. em Psicologia Psicanlítica 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Livro: Chamados por Cristo, Feridos no Caminho




A obra “Chamados por Cristo, Feridos no Caminho: Saúde Mental e Vida Religiosa, Consagrada e Sacerdotal”, de Alessander Carregari Capalbo, publicada pela Editora Redentorista, é uma importante referência para compreender as dores emocionais presentes no ambiente religioso.

O livro une psicologia e espiritualidade católica para falar, com seriedade e acolhimento, sobre a saúde mental de padres, freis, religiosas, irmãos e consagrados. A obra nasce de uma pesquisa científica com quase 400 sacerdotes e religiosos, abordando temas como depressão, ansiedade, burnout pastoral, solidão institucional e crises de sentido na vocação.

Um diferencial importante da obra é que o autor não fala apenas a partir dos estudos, da clínica ou da pesquisa. Ele também escreve a partir de uma experiência vivida, pois passou por uma situação de depressão dentro de sua caminhada ministerial. Essa travessia marcou sua forma de escutar, compreender e cuidar das dores emocionais de quem vive a vocação religiosa e sacerdotal.

O livro mostra que a fé, os votos religiosos ou o sacramento da ordem não tornam ninguém imune ao sofrimento humano. O religioso também se cansa, sente medo, vive angústias e precisa de cuidado.

Mais do que apontar feridas, a obra propõe caminhos: formação humana, redes de apoio, descanso, acompanhamento psicológico e direção espiritual.

Reconhecer a vulnerabilidade não diminui a vocação. Pode ser o primeiro passo para viver a missão com mais maturidade, verdade e saúde emocional.

Você dorme ou realmente descansa

  Muitas vezes pensamos que dormir bem significa apenas passar algumas horas na cama. Mas a ciência vem mostrando que o sono é muito mais c...